O PSB reforçou nesta semana sua posição como um dos principais aliados do PT na corrida pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. Em reunião reservada no Palácio do Planalto na terça-feira (10/02), o presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, defendeu explicitamente a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa presidencial, classificando o tema como “prioridade absoluta” para o partido.
Após o encontro com Lula, Campos declarou à imprensa: “Foi reafirmado ao presidente o desejo do PSB de manter a vice-presidência. Isso é uma prioridade do nosso partido. Temos certeza de que os dois [Lula e Alckmin] vão construir da melhor forma”. Ele destacou que a conversa foi “franca, verdadeira e amistosa”, e que o PSB e o PT estarão “lado a lado” na eleição de outubro, com apoios recíprocos em candidaturas ao Senado, governos estaduais e palanques regionais.
A defesa ocorre em um momento de indefinição na composição da chapa. Lula admitiu pela primeira vez, em entrevista recente ao UOL, a possibilidade de Alckmin não compor a reeleição, afirmando que o vice tem “um papel a cumprir em São Paulo” e que o PT tem condições de vencer no estado com ou sem ele na vice. O presidente petista também abriu negociações com o MDB para ampliar a aliança, o que poderia envolver ceder a vaga de vice a um nome da legenda (como Simone Tebet ou outro cacique).
Por que o PSB insiste em Alckmin?
- Histórico da aliança: Alckmin filiou-se ao PSB em 2022 exatamente para ser vice de Lula, em uma chapa que simbolizou a união entre centro e esquerda contra Bolsonaro. A fórmula foi vitoriosa e é vista pelo PSB como “time que está ganhando não se mexe”.
- Peso político: O partido argumenta que manter Alckmin garante amplitude nacional, atrai eleitores moderados e fortalece o palanque em São Paulo (maior colégio eleitoral do país). Interlocutores próximos ao vice afirmam que, se preterido na vice, Alckmin pode optar por não disputar nenhum cargo em 2026.
- Projeção de liderança: A postura de João Campos — jovem prefeito que assumiu a presidência nacional do PSB — o posiciona como liderança emergente, consolidando o partido como peça-chave no campo governista.
Reações e contexto maior
- PT: O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse que Alckmin “disputará o cargo que quiser” e que o partido acatará sua decisão. Há setores petistas que veem Alckmin como essencial para SP, mas outros priorizam ampliar a aliança com o MDB.
- MDB: O partido está dividido sobre aceitar a vice; senadores como Renan Calheiros (AL) confirmaram que Lula mencionou a possibilidade ainda em dezembro de 2025.
- Outros partidos: O PSB também negocia palanques em estados como Pernambuco (onde Campos é pré-candidato a governador) e busca apoios recíprocos.
As articulações para 2026 seguem intensas, com o ano eleitoral começando cedo. A manutenção ou não de Alckmin na vice será um dos primeiros testes da unidade da base aliada de Lula, que busca repetir o sucesso de 2022 em um cenário de polarização e desafios econômicos.