Inundações em Portugal expostas por satélites: Imagens do Copernicus Sentinel-1 revelam extensão das cheias na bacia do Tejo após tempestades Kristin, Leonardo e Marta

Imagens de satélite divulgadas nesta semana pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pelo programa europeu Copernicus expõem dramaticamente a escala das inundações que assolaram Portugal continental no início de fevereiro de 2026. As fotos, capturadas pelo radar do satélite Copernicus Sentinel-1, mostram áreas inundadas em vermelho vivo, comparadas a registros de dezembro de 2025, destacando a expansão das águas em regiões críticas como a bacia do rio Tejo.

As tempestades Kristin, Leonardo e Marta (parte de uma sequência de depressões que atingiram a Península Ibérica desde janeiro) despejaram volumes extremos de chuva — em algumas áreas, mais de 250 mm em uma única semana. Isso provocou inundações generalizadas em Portugal, Espanha e norte da África, com milhares de pessoas desalojadas e declarações de calamidade em dezenas de municípios portugueses.

Principais áreas afetadas destacadas pelas imagens

  • Bacia do rio Tejo (nordeste de Lisboa): O satélite captou em 7 de fevereiro de 2026 a extensão das cheias, sobreposta a uma imagem de 27 de dezembro de 2025. Áreas inundadas aparecem em vermelho, evidenciando o transbordamento do rio e sua bacia hidrográfica. Em Salvaterra de Magos, mais de 64 mil hectares foram alagados até 8 de fevereiro, uma das maiores extensões registradas nessa vaga de mau tempo.
  • Alcácer do Sal (sul de Portugal): Cidade particularmente afetada, com o rio Sado transbordando e inundando ruas e avenidas. Imagens mostram grande parte da localidade submersa, isolando comunidades e exigindo evacuações.
  • Outras regiões: Imagens do Sentinel-2 e Sentinel-1 revelam impactos em Coimbra (onde cerca de 3 mil pessoas foram retiradas preventivamente por risco de colapso de diques no rio Mondego), Peniche (costa com ondas fortes e sedimentação visível no mar), Lagoa de Óbidos e Albufeira de São Domingos. O programa Copernicus também registrou sedimentos arrastados para o oceano e inundações costeiras/inland.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, declarou estado de calamidade em 69 municípios até meados de fevereiro, devido aos níveis inéditos de precipitação e alagamentos. Milhares de residências foram afetadas, com estradas cortadas, interrupções de energia e pelo menos algumas mortes reportadas em incidentes relacionados ao mau tempo.

Importância das imagens de satélite

Essas observações do Copernicus (programa europeu de observação da Terra, do qual Portugal é membro) não só documentam o desastre em tempo real, mas fornecem dados valiosos para:

  • Gestão de riscos e resposta de emergência
  • Planejamento de reconstrução
  • Avaliação de impactos ambientais e agrícolas (perdas em terras férteis da bacia do Tejo)

A ESA destacou que o radar do Sentinel-1 permite mapear inundações mesmo sob nuvens densas, essencial em eventos de tempestades prolongadas. As imagens estão disponíveis publicamente no site da ESA e do Copernicus, servindo como ferramenta para autoridades e cientistas.

O mau tempo persiste em partes do país, com alertas para mais chuvas no norte e centro. Especialistas ligam a intensidade das tempestades a padrões climáticos alterados, reforçando a necessidade de adaptação às mudanças climáticas.

Imagem 1: Visão do Sentinel-1 destacando as inundações na bacia do Tejo (áreas em vermelho indicam água acumulada). Fonte: Observador (fevereiro 2026).

Imagem 2: Mancha das cheias no Tejo vista do espaço, com áreas inundadas em turquesa/azul claro ao redor do rio e estuários. Fonte: Rádio Renascença (cobertura de 2026).

Imagem 3: Exemplo de monitoramento de inundações pelo Copernicus Sentinel-1 (áreas azuis indicam água). Embora de um evento anterior, o processamento é similar ao usado em 2026 para mapear as cheias atuais na Península Ibérica.

Essas imagens ilustram bem a gravidade das cheias causadas pelas tempestades Kristin, Leonardo e Marta, com destaque para regiões como Salvaterra de Magos, Alcácer do Sal e a bacia do Tejo. O radar do Sentinel-1 permite ver através das nuvens, o que foi essencial durante as chuvas intensas.

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