Caso Banco Master: Escândalo bilionário avança com novas operações da PF, convocações no Senado e pressão por respostas políticas

O Caso Banco Master segue como um dos maiores escândalos financeiros do Brasil em 2026, envolvendo suspeitas de fraude multimilionária, conexões políticas e impactos em milhões de investidores e aposentados. O que começou com a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025 evoluiu para uma investigação complexa que atinge o sistema financeiro, o Judiciário e o Congresso, em pleno ano eleitoral.

Origem e dimensão do problema

O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, cresceu rapidamente oferecendo produtos de crédito e investimentos com rendimentos acima da média do mercado. Em novembro de 2025, o Banco Central do Brasil (BCB) decretou a liquidação extrajudicial por grave crise de liquidez, violações normativas e indícios de gestão fraudulenta. A Polícia Federal (PF) estima um rombo de até R$ 12 bilhões (cerca de US$ 2,2 bilhões), afetando 1,6 milhão de credores (incluindo depositantes, investidores e titulares de empréstimos consignados).

Vorcaro foi preso ao tentar fugir do país e, em depoimentos, alegou ter “amigos no poder”. A investigação aponta criação de instrumentos de crédito inexistentes, comercialização fraudulenta e tentativas de ocultação de perdas via fundos de investimento. Subsidiárias como a Will Financeira também foram liquidadas em janeiro de 2026, com suspensão de cartões Mastercard.

Avanços recentes (fevereiro de 2026)

  • Operação Barco de Papel (PF): Nesta quarta-feira (11/02), a PF deflagrou a terceira fase da operação, cumprindo mandados de busca e apreensão em Santa Catarina (Balneário Camboriú e Itapema). A ação investiga irregularidades na aquisição de letras financeiras do Master pelo fundo de previdência RioPrevidência (R$ 970 milhões investidos entre 2023 e 2024). Há suspeitas de obstrução de justiça e ocultação de provas — na semana passada, o ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, foi preso por destruição de evidências. Dinheiro em espécie foi encontrado jogado pela janela durante buscas.
  • Senado e grupo de trabalho: A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) mantém um Grupo de Trabalho (GT) para acompanhar o caso. Nesta terça (10/02), aprovou 19 requerimentos, incluindo convites para ouvir:
    • Daniel Vorcaro (dono do banco)
    • Diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues
    • Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo
    • Presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
    • Presidente do TCU (Tribunal de Contas da União)
    • Ex-diretor do BRB (Banco de Brasília), envolvido em negociações suspeitas de compra do Master.
    Hoje (11/02), o GT se reúne com Andrei Rodrigues (17h) e o presidente do STF, Edson Fachin (18h30), para discutir avanços e possíveis conflitos institucionais.
  • CPMI do INSS: A comissão investiga irregularidades em empréstimos consignados (mais de 250 mil contratos do Master com aposentados e pensionistas, muitos com indícios de falta de anuência). Vorcaro foi convocado para depor (já ocorreu ou está marcado em fevereiro), mas pedidos de quebra total de sigilo do banco foram retirados da pauta por fugir do escopo (foco nos consignados). Há discussões sobre prorrogação da CPMI.

Implicações políticas e financeiras

O caso expõe possíveis conexões com figuras do Judiciário (incluindo ministros do STF), Executivo (reuniões fora da agenda com Vorcaro) e Legislativo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou como potencial “maior fraude bancária” da história recente. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) enfrenta críticas por demora no ressarcimento a pequenos investidores, devido a entraves na lista de credores.

Protestos ocorreram em frente à sede do banco em São Paulo, e o escândalo pode influenciar as eleições de 2026, com opositores usando para criticar regulação financeira e aliados do governo defendendo investigações independentes.

A PF indica que o inquérito principal sobre a fraude e a tentativa de venda ao BRB pode ser concluído nas próximas semanas, mas desdobramentos no STF e Congresso devem se estender por todo o ano.

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