O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quarta-feira (11/02/2026) o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca para uma reunião bilateral de alto risco. Este é o sétimo encontro entre os dois líderes desde o início do segundo mandato de Trump (em janeiro de 2025), refletindo a prioridade dada às crises no Oriente Médio.
A agenda principal gira em torno das negociações indiretas entre EUA e Irã sobre o programa nuclear iraniano, que avançaram em uma rodada em Omã na semana passada (sexta-feira, 6/02). Netanyahu, que antecipou sua viagem a Washington (originalmente planejada para o fim do mês), pressiona Trump para expandir o escopo das conversas além do nuclear, incluindo limites ao programa de mísseis balísticos do Irã, apoio a grupos proxy (como Hezbollah e Houthis) e outras ameaças à segurança regional.
Fontes próximas à delegação israelense afirmam que Netanyahu apresentará os “princípios” de Israel para qualquer acordo, enfatizando que Teerã não pode ter armas nucleares e que Israel reserva o direito de ação militar unilateral se necessário. Trump, por sua vez, expressou otimismo em declarações recentes, dizendo acreditar que “o Irã quer um acordo” e que o momento é propício para uma negociação “forte”.
Irã reforça linha vermelha sobre mísseis
Em resposta ao clima de negociações, o Irã reafirmou hoje que seu programa de mísseis balísticos é “inegociável”. O conselheiro do Líder Supremo, Ali Shamkhani, declarou durante marcha pelo 47º aniversário da Revolução Islâmica: “As capacidades de mísseis da República Islâmica são uma linha vermelha e não estão sujeitas a negociação”. O chanceler Abbas Araghchi complementou, argumentando que o programa é defensivo, moldado por décadas de sanções e ameaças regionais, e que Teerã está disposto a discutir o nuclear, mas não aceitará limitações em sua dissuasão militar.
Essa posição endurecida complica as expectativas americanas e israelenses, já que Trump e Netanyahu veem os mísseis como parte central das ameaças iranianas — especialmente após avanços recentes em precisão e alcance.
Gaza e outros temas na pauta
Além do Irã, a reunião aborda o impasse em Gaza: Trump impulsiona um cessar-fogo que ajudou a mediar, com foco no desarmamento do Hamas e na eventual retirada israelense. Netanyahu participou de uma cerimônia com o secretário de Estado Marco Rubio para aderir formalmente ao “Board of Peace” (Conselho de Paz) de Trump sobre Gaza, um fórum que inclui comitê técnico palestino e deve se reunir novamente em 19/02.
Protestos intensos ocorreram do lado de fora da Casa Branca, com Netanyahu entrando por acesso lateral para evitar câmeras e manifestações.
Contexto maior
O encontro ocorre em um momento crítico: ameaças de ação militar dos EUA contra o Irã persistem se a diplomacia falhar, enquanto Israel enfrenta pressões internas e internacionais sobre Gaza. Analistas veem a reunião como tentativa de Netanyahu de influenciar a política externa de Trump, alinhando-a mais à linha dura israelense, enquanto Trump busca um “legado” em negociações no Oriente Médio.
Resultados concretos da reunião ainda não foram divulgados (conversa segue em andamento ou recém-concluída), mas fontes indicam que Trump pode anunciar avanços ou endurecimentos em breve.